GuestBook

"Ninguém tem mais energia do que Tito Puente"
Hilton Ruiz

"É difícil acompanhar Tito Puente, até mesmo caminhando pelas ruas"
Charlie Palmieri

"Tinha tanta gente ao mesmo tempo na pista do Palladium, que o chão tremia! Eles foram obrigados a reforçar o piso com vigas para evitar que ruísse. Todos estavam enlouquecendo."
Johnny Pacheco

Hall of Fame

Músicos | Bandas & Orquestras | Artistas

Aqui você poderá conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra de alguns dos grandes nomes da Salsa e da música Latina. Biografias, discografias e informações sobre aqueles que contribuíram para a história e a evolução da Salsa, Mambo, Latin Jazz e a música contemporânea Latina.

  • Mario Bauzá
  • Tito Rodriguez
  • Tito Puente

Mario Bauzá & o Cubop

28 de abril de 1911 | 11 de julho de 1993

Mario BauzáTalvez o mais importante embaixador da música Afro-Cubana, inventor do Cubop Jazz, Mario Bauzá era um homem incansável e impetuoso cuja intensidade era comparável apenas pela cordialidade de seu generoso sorriso. Bauzá foi reconhecido por afirmar que o jazz de New Orleans e a música de sua nativa Cuba eram duas faces de uma mesma moeda que veio para o Novo Mundo da África Ocidental. Nascido em Havana em 1911, foi criado por um casal de padrinhos e vizinhos, que pediram aos seus pais se poderiam criá-lo, uma vez que não tinham filhos. Seu padrinho o ensinou a cantar, e ao notar que Bauzá tinha talento, imediatamente o matriculou no Conservatório de Havana. Prodígio no clarinete, tocou na Orquestra Filarmônica de Havana aos 16 anos, algo que lhe deu a oportunidade de viajar o mundo. Em 1926 tocava na Orquestra de Antonio Romeu para completar seus rendimentos (assim como vários outros músicos da Filarmônica), e o acompanhou numa turnê para Nova Iorque. Inspirado por Paul Whiteman, apaixonou-se pelo saxofone e prometeu voltar à cidade quando completasse 18 anos. Em 1930 mudou-se para Manhattan, em Nova Iorque, e ao ficar sabendo que o Cuarteto Machín precisava de um trompetista, aprendeu a tocar o instrumento em duas semanas, e se tornou o mais novo e caloroso trompetista de jazz de Nova Iorque. Em 1939 tocava trompete para Cab Calloway, cuja banda era tão disciplinada e bem sucedida, que conseguia driblar o forte preconceito racial da época nos hotéis, viajando em seu próprio vagão nos trens. Sua passagem pela banda de Calloway foi generosa e lhe rendeu vários frutos, dentre eles, um convite para integrar as orquestras de Duke Ellington e Count Basie.

Provavelmente, o evento mais importante de sua carreira talvez tenha sido sentar-se ao lado de Dizzy Gillespie e integrar, posteriormente, seu grande sonho. Em 1940 tornou-se diretor da banda de seu irmão (de criação) e companheiro exilado Cubano Machito (também conhecido por Frank Grillo), que havia chegado a Nova Iorque em 1937 como vocalista da banda La Estrella Habanera, e liderava sua atual orquestra: Afro-Cubans. O naipe rítmico da Afro-Cubans foi o primeiro a utilizar o Set triplo de Congas, Bongôs e Timbales na formação das orquestras Latinas de estilo Nova-Iorquino. O Bebop desenvolveu-se durante o período de absorção da música Cubana nas bandas de Jazz. A complexidade dos ritmos apresentados pela música Cubana era o tempero ideal para o improviso e a genialidade de Charlie Parker (grande ícone do Bebop). O Cubop (Cuban Bebop), fortemente influenciado pelos arranjos rítmicos de Mario Bauzá na orquestra de Dizzy Gillespie e a força do foco Afro-Cubano nasceu nessa época, em meio às Jam Sessions da casa noturna Birdland em Manhattan, bem ao lado da "Meca" do Mambo: o Palladium. A intersecção entre o Jazz Norte-Americano e a música Afro-Cubana estava então firmada, e esse palco preparou o terreno para o Mambo em Nova Iorque, onde os fãs da música já estavam acostumados à inovação.

| saiba mais sobre a história da Salsa |

Pablo "Tito" Rodriguez: El Inolvidable

4 de janeiro de 1923 | 28 de fevereiro de 1973

Tito RodriguezCantor e percussionista, Tito Rodriguez foi talvez um dos mais negligenciados talentos de sua época. Suas bandas, com seus arranjos impecáveis, quebrados, de execuções firmes e demonstrações de bravura nos improvisos, transformaram o Mambo em uma grande arte mais e mais... e mais! Nascido em San Juan (Porto Rico) em 1923, mudou-se para Nova Iorque em 1939, trabalhando nas orquestras de Xavier Cugat e Noro Morales, um Porto-Riquenho que chegou a Nova Iorque na metade da década de 1930 e liderou Big Bands na "Era do Swing". Após alguns trabalhos com um dos alunos de Cugat, Jose Curbelo, com o qual tocou pela primeira vez no Palladium, Tito Rodriguez formou sua própria banda, a Mambo Devils, que depois virou Mambo Wolves, e finalmente ficou como Tito Rodriguez Orchestra. Em 1950 gravou quatro álbuns pela gravadora Tico, e após uma única gravação com a RCA, assinou com a United Artists, onde prosperou como o único artista Latino da gravadora. Sua obsessão pela perfeição musical como líder de uma das principais bandas do Palladium gerou um conjunto de obras gravadas entre as décadas de 1950 e '60 que o colocou no topo da Era do Mambo.

Assim como seus antecessores Mario Bauzá e Machito, além de Tito Puente, trabalhou incansavelmente para manter os altos padrões dos músicos Americanos de Jazz, devoção resumida em diversos temas como Mama Güela (Live at Palladium, 1960) e Cuando, cuando (Back Home in Puerto Rico, 1962). Clássicos do Swing como Satin and Lace (de autoria própria) e Liza (de George e Ira Gershwin) contavam com solos de clarinete ao melhor estilo do fantástico Benny Goodman e os afiados arranjos de Ray Santos, e influenciariam, posteriormente, tanto a Salsa Dura da década de 1970 e o Latin Jazz de '80. O desejo de Tito Rodriguez de levar sua orquestra rumo ao Jazz seria concretizado em 1963 com o lançamento do álbum Live at Birdland - participação de Zoot Sims.

| saiba mais sobre a história da Salsa |

Tito Puente: El Rei del Timbal

20 de abril de 1923 | 31 de maio de 2000

Tito Puente"Como músico, meu trabalho me privou. Passei inúmeros feriados solitários, longe de casa e da minha família, e perdi muitas horas de sol. No entanto eu não me arrependo, pois um artista deve fazer o que sente... isso era algo que eu sentia que devia fazer. Se a minha música levou alegria a uma única pessoa, então eu fui bem sucedido." - Tito Puente.

No início da década de 1920, um jovem casal de Porto Rico, Ernesto e Ercilia Puente, embarcaram em um navio em San Juan e passaram cinco dias navegando rumo a Nova Iorque para dar início a uma vida nova. Ainda que tivessem ouvido falar de uma terra de oportinidades, sabiam que teriam muitas dificuldades pelo caminho. A primeira onda de imigrantes das ilhas Caribenhas, Cubanos e Porto-Riquenhos ansiosos por abraçar o desafio de uma vida nova, ganharam abrigo em Nova Iorque, mas tinham que lutar por cada pedacinho de chão. Após um breve período morando no Brooklyn, a família Puente mudou-se para Manhattan (East 110th St.), juntando se a muitos outros Latinos, na vizinhança que ficou conhecida por: El Barrio. Tiveram então o seu primeiro filho. Ernest Anthony Puente Jr. nasceu no Harlem Hospital, em abril de 1923, e era chamado por todos de Ernestito, que eventualmente tornou-se apenas Tito - o futuro Rei da Música Latina. Ainda um bebê engatinhando, Tito já usava garfos e colheres para batucar na mobília da casa, no batente das janelas e tudo que encontrava pela frente. Ao invés de recriminar e desencorajar o jovem "talento", Ernesto e Ercilia incentivaram seu pequeno e potencial percussionista. Logo o que era "bonitinho" passou a perturbar toda a vizinhança que começou a pressionar a família: "Por que vocês não colocam esse moleque pra estudar música? Ele está nos deixando loucos!". Tito Puente foi então matriculado na New York School of Music, começou a fazer aulas de piano e deu início ao seu longo e próspero caminho pela música. Em 1928 nasce a irmã de Tito, Anna, e quando ela tinha seis anos (e ele 11), ambos entraram em uma escola de dança, inspirados por Fred Astaire e Ginger Rogers: "Annie e eu estudamos todos os tipos de dança de salão - Ballroom Dance".

Tito Puente na Marinha dos EUAEnquanto adolescente, Tito cresceu escutando as Big Bands de Jazz e vendo o swing tomar conta da cidade e das rádios com os mestres Benny Goodman, Artie Shaw, Duke Ellington, Count Basie e Chick Webb. Destacando-se de todos esses ícones, seu grande herói e inspiração foi o bateirista Gene Krupa. Aos 15 anos, estudando piano e bateria já há sete anos, era chamado de "El Niño Prodigo" (A Criança Prodígio). Começou então a tocar no bairro com amigos, em festas informais de dança e eventos da igreja. Semi-profissionalmente integrou um grupo chamado Federico Pagani's Happy Boys, que mesmo não sendo um grupo talentoso, agradava pelo repertório de swing. A partir daí, dedicou-se ao estudo dos Timbales. Aos 16 anos Tito Puente participou de seu primeiro show "pago", em uma apresentação única com a Orquestra de Noro Morales no Stork Club. Sua carreira passou a tomar mais corpo quando conheceu o pianista Cubano José Curbelo, que tocava na Orquestra de Xavier Cugat. Curbelo chegou a afirmar: "Eu pensava que tinha visto os melhores timbaleiros em Cuba... até ver a performance de Tito Puente". Ambos viraram grandes amigos, e em 1957 Curbelo se tornaria o agente de Tito Puente. Após o bombardeio a Pearl Harbor, em Dezembro de 1941, os EUA entraram na II Guerra Mundial, e todos os jovens saudáveis e em condições foram recrutados para servir ao seu país. Tito Puente foi então encaminhado ao acampamento em Long Beach para servir à Marinha dos EUA, e em dois anos de trabalho participou de nove batalhas. Durante esse período, além de ser atacado e bombardeado por diversas vezes, manteve-se ocupado com sua música, e apesar da vaga de bateirista já estar ocupada no navio, Tito colocou então em prática os conhecimentos adquiridos em NY sobre o saxofone alto (veja na foto ao lado, ajoelhado à direita). Foi neste período que o jovem Tito Puente começou a dar seus primeiros passos como arranjador e compositor.

Palladium: NYNa década 1950 os EUA estavam apaixonados pelo Mambo, e o Palladium se transformou na Casa do mambo e da música Latina. Por intermediário de seu amigo e bandleader Federico Pagani, Tito Puente foi chamado para se apresentar no Palladium. Depois de juntar um grupo de músicos talentosos e batizá-los de Picadilly Boys (por causa de sua composição Picadillo), Tito começava então a sua carreira de bandleader, tocando todos os domingos na casa. Suas primeiras gravações, entre os anos de 1948-49, foram feitas para a gravadora Tico, e incluíam, dentre outros, seu primeiro grande sucesso Abaniquito. Tito Puente deixou a Tico e foi para a gravadora RCA por um curto período (de 1949 a 1951), onde gravou os originais de Ran Kan Kan e Picadillo, e em seguida retornou à Tico. Seu plano era simples. Primeiro passo: começar com um grupo dedicado de músicos talentosos, os quais ele chamava carinhosamente de "the boys" ("os meninos"). Em 1951 Mongo Santamaria, que já havia tocado com Perez Prado, juntou-se ao grupo, substituindo o congueiro Frankie Colón. Na sequência veio Charlie Palmieri (irmão mais velho de Eddie Palmieri), substituindo o pianista Gil Lopez, e tornando-se o pianista de maior influência na música Latina; Segundo passo: tocar músicas dançáveis de alta qualidade e que atendam às exigentes expectativas de seu público. E claro... trabalhar, trabalhar, trabalhar até aumentar cada vez mais esse público e construir um valioso mercado. Eficiência de seu plano: 100%!

Tito Puente: The Mambo KingEnquanto Tito Puente aperfeiçoava seu som e ganhava reconhecimento, o Mambo se tornava cada vez mais popular. Combine então o Mambo com as poderosas formações instrumentais, as habilidades e arranjos de músicos como Mario Bauzá, René Hernandez e Tito Puente, e você terá uma paixão nacional. Os negócios estavam "bombando", e noite após noite empolgava multidões que se amontoavam na esquina da Broadway com a 53rd., lotando a pista de dança do Palladium, que contava frequentemente com as aparições mais do que especiais de astros de Hollywood como Marlon Brando e Kim Novak. Durante a era do Palladium, Tito Puente desenpenhou um papel fundamental no cruzamento do Jazz com a música Latina que ficou conhecido como Cubop. "Eu combino os conceitos melódicos e as modulações harmônicas do Jazz com o ritmo da percussão Latina, sem que nenhum perca a autenticidade. Como diria Dizzy Gillespie, é um casamento!" - afirmava Tito Puente. No meio de toda essa loucura, começou então a se aperfeiçoar nos Vibrafones, adicionando o instrumento à sua Orquestra, sendo um dos primeiros Latinos a tocar o instrumento numa banda Latina. Muitos adoravam o som dos "vibes", mas Tito também sofreu várias críticas daqueles que estavam acostumados com seu trabalho e habilidade na percussão, com os Timbales. Ao fim da Era Palladium, Tito Puente já tinha um público cativo por todo o país e começava a canhar o mundo. Deu andamento às suas gravações, estabelecendo parcerias de sucesso como com a vocalista cubana La Lupe e a rainha Celia Cruz, uma das artistas que fugiram do regime de Castro em Cuba no início da década de 1960. Depois de sua indicação ao Grammy em 1978, com o álbum "The Legend", ganhou o seu primeiro prêmio em 1979 com o álbum "Homenage a Beny Moré". Lançou o seu centésimo álbum "The Mambo King" com uma arrasadora versão de seu grande sucesso Ran Kan Kan, ocupando o a lista Top Ten Club da Billboard em 1991 - quarenta e dois anos após o lançamento original e, 1949.

| saiba mais sobre a história da Salsa |

 


Salsa | Design & SEO by Gustavo Lilla ©2009